
Robert
Todd Carroll

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fenômeno Clever Hans
Trata-se de uma forma de dar pistas de forma
involuntária e inconsciente. O termo se refere a um
cavalo (Kluge Hans, tratado na literatura como
"Clever Hans" [N.T.: "Inteligente
Hans"]) que respondia a perguntas que exigiam
cálculos matemáticos dando batidas com os cascos. Se
seu mestre perguntasse quanto eram 3 mais 2, o cavalo
batia os cascos cinco vezes. O animal parecia estar
respondendo à linguagem humana e ser capaz de
compreender conceitos matemáticos (Hans também podia
dizer as horas e o nome de pessoas,*
mas vamos restringir a discussão de suas fantásticas
capacidades a seus dons matemáticos.) Oskar Pfungst
acabou descobrindo que o cavalo respondia a pistas
físicas sutis (reação
ideomotora), ou como define Ray Hyman, "Hans
respondia a um simples e involuntário ajuste postural do
questionador, que era sua dica para começar a dar
batidas, e a um movimento de cabeça inconsciente e quase
imperceptível, que era a dica para parar" (Hyman
1989: 425). Assim mesmo, mais de uma dúzia de cientistas
observaram Hans e convenceram-se de que não havia
nenhuma sinalização ou truque (Randi
1995: 49). Ficaram impressionados por Hans ter se
saído quase tão bem sem a presença de Van Osten quanto
com ela (Schick e Vaughn 1988: 116). Mas estavam errados.
O cavalo era apenas um canal através
do qual a informação que o questionador introduzia
sem querer na situação era retornada a ele. A
falácia envolvida foi tratar o cavalo como fonte da
mensagem, em vez de como um canal através do qual a
própria mensagem do questionador era refletida de
volta. (Hyman loc. cit.).
Pfungst notou que, quando a resposta
correta não era conhecida de nenhum dos presentes,
Clever Hans também não a sabia. E quando não podia ver
a pessoa que tinha feito a pergunta, o cavalo não
respondia corretamente (Schick e Vaughn, loc. cit.).
Isso levou Pfungst a concluir que o cavalo estava
recebendo pistas visuais, ainda que sutis. Descobriu-se
que Von Osten e outros estavam isconscientemente dando
dicas para Hans "tensionando os músculos até que
ele fornecesse" a resposta correta (ibid.). O
cavalo realmente era inteligente, não porque entendia a
linguagem humana, mas porque podia perceber movimentos
musculares muito sutis. O mais importante é que Pfungst
descobriu que as pessoas podem inconscientemente
transmitir informações a outras através de movimentos
sutis, e que alguns animais podem perceber esses
movimentos inconscientes. Foi apenas questão de tempo
até que os psicólogos começassem a investigar
influências não-verbais entre seres humanos. (Veja Robert
Rosenthal 1998.)
Ocorre freqüentemente que se pense que
animais demonstram evidências de capacidades
lingüísticas que não possuem. E que seres humanos são
capazes de obter mensagens psíquicas quando são apenas
sensíveis à sinalização inconsciente dos outros.
Dicas inconscientes já chegaram a levar
pessoas à crença em poderes psíquicos de animais.
James Randi relatas a história de J. B. Rhine, que
declarou que a égua Lady Wonder era paranormal porque podia
responder perguntas batendo sobre blocos que continham
letras do alfabeto (Randi
1995: 143). Na opinião de Rhine, não haviam truques
envolvidos. Concluiu que a única hipótese sustentável
para explicar a capacidade da égua era que ela fosse telepata. O raciocínio de
Rhine é um exemplo da falácia do falso dilema.
Veja verbete relacionado sobre persuasores ocultos.
leitura adicional
Hyman,
Ray. The Elusive Quarry: a Scientific Appraisal of
Psychical Research (Buffalo, N.Y.: Prometheus Books,
1989).
Jay,
Ricky. Learned Pigs & Fireproof Women (Farrar
Straus & Giroux 1998).
Pfungst,
Oskar. Clever Hans: The Horse of Mr Von Osten
(Thoemmes Press 2000).
Randi,
James. An Encyclopedia of Claims, Frauds, and Hoaxes
of the Occult and Supernatural, (N.Y.: St. Martin's
Press, 1995).
Rosenthal,Robert.
1998. "Covert Communication in Classrooms, Clinics,
and Courtrooms," Eye on Psi Chi. Vol. 3, No.
1, pp. 18-22.
Sebeoke,
Thomas A. e Robert Rosenthal Sebeoke. editores. Clever
Hans Phenomenon: Communication With Horses, Whales, and
People (New York Academy of Sciences 1970).
Schick,
Jr., Theodore e Lewis Vaughn, How to Think About Weird
Things 2a. ed. (Mountain View, California: Mayfield
Publishing Company, 1998),
Umiker-Sebeok,
Jean, e Thomas A. Sebeok. 1981. Clever Hans and Smart
Simians: The Self-Fulfilling Prophecy and Kindred
Methodological Pitfalls. Anthropos 76:89-165.
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